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Guia da Arquitetura na Alemanha

A Alemanha, com sua rica história, possui uma rica herança arquitetônica ao longo dos séculos. Desde as majestosas catedrais góticas às inovadoras estruturas modernistas, a arquitetura alemã é um testemunho da evolução da cultura, da sociedade e da tecnologia do país. Este texto se propõe a conduzir o leitor por uma jornada através das diversas fases da arquitetura alemã, destacando os estilos predominantes e edificações emblemáticas de cada era. Convidamos você a mergulhar nesta fascinante exploração e a apreciar a diversidade e a riqueza da contribuição alemã ao mundo da arquitetura.

Influência Romana (Século I d.C – Século V d.C):

Durante sua história antiga, a Alemanha foi uma parte integrante do vasto Império Romano, particularmente nas regiões a oeste do rio Reno. Como resultado, uma rica arquitetura romana pode ser encontrada na Alemanha, revelando a extensão da influência romana e sua ambição de expandir e consolidar seus territórios. Durante a ocupação romana, ocorreram avanços arquitetônicos significativos na forma de templos, banhos e vilas romanas. Os vestígios de estruturas romanas, como a Porta Nigra em Trier, permanecem como testemunho deste período. A pedra fundamental da Porta Nigra fora colocada em 170 d.C, e, hoje, cerca de 1850 anos depois, a ‘Porta Negra’ é o portão romano mais bem preservado ao norte dos Alpes.

Um dos mais significativos remanescentes arquitetônicos da era romana na Alemanha é o Limes Romanus. Esse sistema de fronteira, que se estendia por mais de 550 km, era composto por muros, valas, fortes e torres de vigia construídos para defender as províncias romanas da Germania Superior e Germania Inferior das tribos germânicas. Grande parte desta fronteira está preservada e ainda pode ser visitada hoje.

Arquitetura Medieval Românica (Século XI – Século XII):

A arquitetura românica na Alemanha, que floresceu aproximadamente entre os séculos XI e XIII, é parte da arquitetura do período medieval. Ela marca a transição da arquitetura carolíngia e pré-românica para o gótico, caracterizando-se por formas massivas, abóbadas de arco redondo e uso extensivo de colunas e pilares robustos. As características principais são a robustez, com paredes espessas, aberturas pequenas e estruturas maciças, muitas vezes dando a eles uma aparência fortificada, abóbadas de Berço – um arco redondo ao longo de um espaço – e pouca ornamentação. Um exemplo notável é a Catedral de Speyer (Speyer Dom). A catedral foi fundada por Conrad II em 1030. Este monarca tinha o objetivo de construir a maior igreja do Ocidente. Ao longo dos anos, a catedral passou por várias fases de construção, expansões e renovações.

Catedral de Speyer na Alemanha, arquitetura românica
Catedral de Speyer

A Catedral é marcada por suas grandes dimensões e pela sua cripta, que é uma das maiores e mais bem preservadas do seu tipo. A catedral tem quatro torres e duas cúpulas, elementos que fazem parte do design típico das igrejas imperiais românicas da Alemanha. Ademais, vários imperadores e reis alemães estão sepultados na catedral, incluindo Conrad II, o fundador da igreja, e sua esposa Gisela, bem como Rudolf da Germânia, entre outros. Em 1981 a Catedral de Speyer foi inscrita na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO e é descrita como uma “obra-prima da arquitetura românica”, que influenciou o desenvolvimento da arquitetura gótica posterior.

Arquitetura Gótica (Século XII – Século XVI):

Durante a Idade Média, o estilo gótico dominou a paisagem arquitetônica alemã. Caracterizado por altas torres, arcos pontiagudos e detalhes intricados, os edifícios desta época são verdadeiramente majestosos. A exemplo da Catedral de Colônia (Kölner Dom), a qual foi construída ao longo de 600 anos, a Catedral de Colônia é uma das maiores catedrais góticas do mundo e é Patrimônio Mundial da UNESCO. Com suas duas torres imponentes, ela domina o horizonte de Colônia e é uma visita obrigatória.

Um destaque para a Catedral de Aachen

A Catedral de Aachen, também conhecida como Dom de Aachen em alemão, é uma das mais antigas catedrais da Europa e tem um lugar especial na história e cultura alemãs. Localizada na cidade de Aachen, esta obra-prima arquitetônica detém uma série de distinções e características notáveis. A construção da catedral foi iniciada pelo imperador Carlos Magno no final do século VIII. Após a sua morte em 814, Carlos Magno foi enterrado no local, e a catedral passou a abrigar seus restos mortais. Durante muitos séculos, a Catedral de Aachen foi o local de coroação de reis e imperadores do Sacro Império Romano-Germânico.

O edifício é uma mistura de estilos arquitetônicos, reflexo das várias fases de construção e renovação ao longo dos séculos. A parte mais antiga é a Capela Palatina, um excelente exemplo da arquitetura carolíngia e considerada o núcleo da catedral.

A forma octogonal da Capela Palatina, bem como os mosaicos que adornam o seu interior, foram fortemente influenciados pela arte e arquitetura bizantinas. Ao longo do tempo, elementos góticos, barrocos e de outros estilos foram adicionados à catedral. Em 1978, a Catedral de Aachen foi uma das primeiras 12 propriedades a serem inscritas na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. Este reconhecimento destaca a sua importância cultural, histórica e arquitetônica, não só para a Alemanha, mas para toda a humanidade.

Arquitetura Renascentista e Barroca (Século XVI – Século XVIII):

O Renascimento

O movimento que se originou na Itália no século XV, influenciou profundamente a arquitetura alemã, introduzindo elementos clássicos e simetria nas construções. Como exemplo dessa arquitetura, temos o Castelo de Heidelberg, localizado em Heidelberg. Para saber mais informações sobre ele visite o nosso post, clicando aqui.

O Barroco

O Barroco emergiu como uma expressão artística suntuosa e decorativa, com ênfase na grandiosidade e no dramatismo. Na Alemanha, essa forma de arquitetura se manifestou em igrejas, palácios e edifícios urbanos. O Palácio de Würzburg, localizado em Würzburg, na Baviera, é uma das mais impressionantes residências barrocas da Europa e uma obra-prima do estilo arquitetônico sul-alemão. Devido à sua significância histórica, cultural e arquitetônica, foi incluído na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1981. O palácio foi construído entre 1720 e 1744, e encomendado pelo Príncipe-Bispo Johann Philipp Franz von Schönborn e seu irmão Friedrich Carl von Schönborn. Foi projetado principalmente por Balthasar Neumann, um dos arquitetos barrocos mais célebres da Alemanha.

Palácio de Würzburg e seu jardim na Alemanha, arquitetura barrcoa
Palácio de Würzburg

Estilos Neoclássico e de Revival do Século XIX (Século XVIII – Século XIX):

O século XIX na Alemanha foi um período de reflexão e renovação na arquitetura. O interesse em estilos do passado, como o Neoclássico e o Rococó, mostrou o desejo do país de se conectar com suas raízes culturais enquanto se adaptava a uma nova era. Estes estilos de “revival”, portanto, são um testemunho da sua contínua inovação na arquitetura.

O estilo Neoclássico

Surgiu na segunda metade do século XVIII e durou até o início do século XIX. Inspirado pela arte e arquitetura da Grécia e Roma antigas, o movimento neoclássico na Alemanha foi marcado por uma estética de simplicidade, simetria e grandeza. O Portão de Brandemburgo, localizado em Berlim, é um dos exemplos do neoclassicismo alemão. Além disso, o Portão de Brandemburgo é mais do que apenas um marco histórico; é um símbolo de reunificação e das turbulências históricas que a Alemanha sofreu ao longo dos séculos.

Portão de Brandemburgo em Berlim na Alemanha, arquitetura neoclássica
Portão de Brandemburgo

Construído entre 1788 e 1791, o Portão de Brandemburgo foi encomendado pelo rei prussiano Frederico Guilherme II e projetado pelo arquiteto Carl Gotthard Langhans. O design é inspirado nos Propileus, o portal de entrada para a Acrópole de Atenas, refletindo o espírito neoclássico da época. O portão é adornado com doze colunas dóricas, formando cinco passagens. A escultura no topo, a qual foi adicionada em 1794, representa a deusa da vitória montada em uma carruagem puxada por quatro cavalos.

O estilo Rococó

Originalmente popular no século XVIII, viveu um renascimento no século XIX. Conhecido por sua decoração opulenta, curvas elegantes e cores pastéis, o Rococó manteve o charme do original, mas com uma sensibilidade do século XIX. O Palácio de Linderhof é um belíssimo exemplo do Rococó e foi o único dos três castelos do Rei Ludwig II (os outros sendo Neuschwanstein e Herrenchiemsee) que foi completamente concluído.

Influenciado pelo estilo do rococó, especialmente pelo Palácio de Versalhes na França, o Castelo de Linderhof é uma obra-prima da arquitetura do século XIX. No entanto, ao contrário do Palácio de Versalhes, que serviu como residência para uma corte real inteira, Linderhof foi projetado como um refúgio para um único habitante – o Rei Ludwig II. Isso é refletido em seus interiores íntimos, mas luxuosos.

Arquitetura modernista

A Alemanha desempenhou um papel fundamental na evolução da arquitetura modernista durante o século XX. Esse movimento, caracterizado por sua ênfase na funcionalidade, simplicidade e rejeição de ornamentação excessiva, foi impulsionado por uma série de fatores sociais, tecnológicos e políticos na Alemanha. A Escola Bauhaus foi fundamental para o modernismo alemão. Fundada em 1919 por Walter Gropius em Weimar. A Bauhaus teve um enfoque interdisciplinar, unindo arte, artesanato e tecnologia. Entre os princípios básicos estavam a forma seguindo a função e a ideia de que a arte e a arquitetura deveriam servir às necessidades da sociedade. A escola influenciou enormemente o design e a arquitetura moderna, com destaque para edifícios como o próprio edifício da Bauhaus em Dessau e a Haus am Horn em Weimar.

Edifício Bauhaus em Dassau, arquitetura  Bauhaus na Alemanha
Edifício Bauhaus

Período Nazista e Pós-Guerra (1933 – 1945 e Pós-1945):

A ascensão do nazismo e o período pós-Segunda Guerra Mundial foram tempos de profundas transformações na Alemanha, e isso também se refletiu na arquitetura do país. Afinal, durante essas décadas, a arquitetura tornou-se uma ferramenta política e ideológica, representando visões distintas para o futuro da nação.

Arquitetura Nazista (1933-1945)

Com a ascensão de Adolf Hitler ao poder em 1933, a arquitetura na Alemanha sofreu uma reorientação ideológica profunda, o regime nazista viu a arquitetura como um meio de expressar sua visão para o Terceiro Reich. A arquitetura nazista era grandiosa, monumental e destinada a demonstrar o poder e a eternidade do regime. Predominavam formas simples, massivas e clássicas, muitas vezes inspiradas na arquitetura greco-romana.

Um exemplo é o Estádio Olímpico de Berlim, reformado para os Jogos Olímpicos de 1936, é um exemplo do gigantismo e monumentalidade que o regime desejava. O Olympiastadion é um exemplo clássico da arquitetura monumental nazista, inspirada em formas greco-romanas. O estádio pode acomodar mais de 100.000 espectadores, tornando-o um dos maiores estádios da época. A entrada principal é marcada pela “Torre de Maratona”, que ainda hoje é uma característica proeminente do estádio.

Estádio Olímpico de Berlim, arquitetura nazista, na Alemanha
Estádio Olímpico

Arquitetura Pós-Guerra (1945 em diante)

A Segunda Guerra Mundial deixou cidades alemãs profundamente destruídas. A reconstrução foi uma necessidade, mas também uma oportunidade para refletir sobre a identidade nacional e os valores da nova Alemanha.

  • Arquitetura da Alemanha Oriental (DDR): Em meio à Guerra Fria, a Alemanha Oriental, sob influência soviética, adotou uma arquitetura funcionalista, muitas vezes caracterizada por edifícios pré-fabricados de grande escala (Plattenbau). O Palácio da República em Berlim, que serviu como parlamento, é um exemplo dessa era.
  • Arquitetura da Alemanha Ocidental (BRD): Em contraste, a Alemanha Ocidental viu uma variedade de estilos emergir. A reconstrução de cidades antigas, como Frankfurt, adotou uma abordagem mais moderna, enquanto outras cidades, como Munique, optaram por restaurar edifícios históricos destruídos pela guerra.

Arquitetura Contemporânea (Final do século XX – Atualidade):

A arquitetura contemporânea na Alemanha é uma fusão de tradição, inovação e uma resposta ao ambiente urbano e sociopolítico do país. Desde a reunificação da Alemanha em 1990, arquitetos têm buscado maneiras de integrar o passado e o presente, criando edifícios e espaços que ressoam tanto com a história alemã quanto com os desafios modernos. As principais características na arquitetura contemporânea são a busca de sustentabilidade, integração com o passado e funcionalidade.

Exemplos Notáveis:

Allianz Arena em Munique: Projetado pelos renomados arquitetos Herzog & de Meuron, este estádio de futebol é conhecido por sua fachada inflável iluminada, que pode mudar de cor.

Estádio de futebol Allianz Arena em Munique na Alemanha
Allianz Arena

Mercedes-Benz Museum em Stuttgart: Este museu, projetado pela UNStudio, é uma fusão de função e forma, com uma espiral interna que guia os visitantes através da história da marca.

Museu da Mercedez-Benz em Stuttgart na Alemanha
Museu da Mercedes-Benz

Elbphilharmonie em Hamburgo: Projetada por Herzog & de Meuron, uma impressionante sala de concertos com design contemporâneo.

Elbphilharmonie em Hamburgo na Alemanha
Elbphilharmonie

Apresentamos aqui um pouco da história da arquitetura na Alemanha. Para que você possa aproveitar ao máximo a sua viagem, adquirir mais conhecimento e ter um roteiro voltado ao seus interesses, entre em contato conosco. Na Viagem Alemanha fazemos consultoria, roteiros planejados e oferecemos outros auxílios para a sua viagem, bem como transfers, guias e assessoria.

4 Comentários

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