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O incrível mundo da Faber-Castell – Viagem Alemanha Entrevista

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo…” Quem não se lembra daquele marcante comercial de TV dos anos 90? A voz de Toquinho nos levando com os desenhos em movimento por uma viagem de cores e fantasia, que fazia qualquer criança – e adultos também – desejarem as caixas de lápis da Faber-Castell.

E é aqui, na Alemanha, na cidade de Stein, próxima a Nuremberg, que toda a história dos lápis mais famosos do mundo começou, ainda no século XVIII, com o artesão Kaspar Faber. A convite da Faber-Castell Alemanha, visitamos o museu e palácio Faber-Castell, e antiga produção de lápis. Fomos muito bem recebidos e fizemos uma visita guiada exclusiva, na qual aprendemos muito da história da Faber-Castell e da família que deu origem à empresa e até os dias atuais a conduz.

Nossa visita aos museus da Faber-Castell, na Alemanha. Ao fundo, a antiga fábrica de lápis, onde a empresa começou.

1 – Desde quando a empresa existe? 

O início da Faber-Castell remonta ao ano de 1761 com Kaspar Faber, um artesão de Langenzenn, que produzia lápis feitos à mão na cidade vizinha de Stein, próxima a Nuremberg. Kaspar foi quem começou tudo, ele foi a primeira geração. O nome Faber-Castell como hoje conhecemos veio após o casamento da Ottilie von Faber (sexta geração da família) com o conde Alexander zu Castell-Rüdenhausen, um membro da aristocracia. Até então, a empresa era conhecida somente como A. W. Faber, conforme Anton Wilhelm Faber, filho do Kaspar.

O palácio da Faber-Castell

2 – Por que o nome Faber-Castell? A família Castell family ainda possui títulos da nobreza?

A família Faber, pode-se dizer, fez seu nome e fortuna com base em trabalho árduo. Eles alcançaram sucesso e prestígio nesse negócio, mas não eram membros nem descendentes de uma família nobre. Em razão dos serviços prestados ao mundo dos negócios e em assuntos sociais, o barão Lothar von Faber tornou-se um par vitalício e alçado à nobreza hereditária em 1881.

A escadaria na entrada do palácio da Faber-Castell. Hoje, o palácio é um museu dedicado à história da empresa.

Em 1898, Ottilie, a neta do barão Lothar von Faber (quarta geração), casa-se com Alexander, membro da família de aristocratas Castell-Rüdenhausen. Antes de sua morte em 1896, Lothar, um homem já muito bem sucedido em seus negócios, havia estipulado que seus descendentes deveriam carregar o nome da empresa e também o nome da família Faber. É assim que os nomes Faber e Castell foram unidos.

Alexander e Ottilie – o palácio que hoje conhecemos como castelo da Faber-Castell foi utilizado como residência do casal no início do século XX

3 – Como a empresa se tornou uma referência mundial para lápis e ítens de papelaria?

Muito se deve ao barão Lothar von Faber que, em meados do século XIX, colocou como sua missão pessoal elevar a companhia e seus produtos ao “posto mais alto, fazendo o melhor que pode ser produzido no mundo”. Ele tinha uma visão aguçada para negócios e marketing, que nem era chamado assim naquela época. Algumas coisas que podem ser atribuídas ao Lothar foram, por exemplo, a criação de lindos estojos de lápis para atrair o consumidor. Na época, os lápis estrangeiros eram os maiores competidores dos produtos Faber. Portanto, ele tinha em mente que deveria focar na qualidade do produto, na percepção do consumidor ao ver uma caixa de lápis da A.W. Faber pela primeira vez.

A preocupação com a qualidade dos produtos e com a apresentação – encantar o consumidor: um conceito hoje tão falado em marketing, já era realizado por Lothar von Faber no século XIX

Ele impulsionou a A.W. Faber a um nível global, na produção, distribuição e reputação. Também foi o primeiro homem de negócios no mundo que se preocupou com a marca registrada (Markenschutz) e escreveu uma carta ao parlamento alemão em Berlim para obtê-la. O nome A.W. Faber é a marca registrada ainda ativa mais antiga dos Estados Unidos. O barão Lothar von Faber sabia o quão importante era para a empresa alcançar essa posição internacional, mantendo a qualidade do produto e, também, manter os negócios dentro da família, trazendo seus irmãos para os assuntos da empresa e trabalhando para garantir um futuro para as próximas gerações.

As embalagens da Faber-Castell no fim do século XIX traziam ilustrações de diversas culturas e regiões do mundo. Assim, seus consumidores conheciam lugares aos quais não podiam viajar, em uma forma primitiva de Instagram, como muito bem analisado pela nossa guia.


Perguntas dos seguidores do Instagram

4 – A Faber-Castell utiliza madeira das florestas brasileiras? Existem áreas de reflorestamento no Brasil?

Sim. Em Prata, Minas Gerais. A Faber-Castell também utiliza 82% de energia renovável, como turbinas hidráulicas na produção em Stein, na Alemanha. A empresa também tem se preocupado bastante com o reflorestamento e a biodiversidade em áreas nas quais a madeira é utilizada para seus lápis.

5 – Existe alguma museu na Alemanha onde podemos aprender sobre a história da empresa e com atividades para crianças?

Claro! Em Stein, próxima a Nuremberg, você pode visitar o castelo da Faber-Castell, que foi a residência da família no início do século XX. Ali perto está também a produção, no mesmo local onde Kaspar Faber começou, no século XVIII. O visitante pode apreciar um tour no castelo, no museu “Alte Mine” (antigas minas) e na produção, e aprender mais sobre a história da empresa, como os lápis são feitos e etc.

Além do palácio da Faber-Castell, também é possível visitar o museu da antiga fábrica, do outro lado da avenida.
Aprendendo como um lápis era fabricado de forma artesanal. Você já segurou uma mina de grafite assim inteira? No museu da Faber-Castell, poderá ter essa experiência.

6 – Onde fica a produção da Faber-Castell?

Em muitos países. Alemanha, Brasil, Peru, Indonésia, Áustria, Estados Unidos, Malásia, Colômbia, China and Índia.

7 – Como o lápis foi inventado?

O uso do bastão de chumbo como instrumento de escrita remonta ao Egito Antigo. Porém, o lápis como conhecemos nos dias atuais, com a mina dentro da estrutura de madeira, deve ser algo de tempos mais recentes. Na exibição do museu da Faber-Castell encontra-se o mais antigo lápis remanescente (foto abaixo), do século XVII, encontrado dentro de uma construção na Alemanha.


As próximas perguntas foram enviadas por crianças do Brasil, em idades de 7 a 11 anos.

Pergunta da Valentina, 11 anos

8 – Como a empresa imagina o uso de lápis, canetas e produtos escolares no futuro?

Bem, agora existe o Repaper, o tablet de papel gráfico da Faber-Castell, que é um tablet no qual você pode escrever ou desenhar, mantendo a sensação da escrita à mão, do desenho à mão, mas com a possibilidade de transferir o conteúdo digitalmente, seja para o seu smartphone ou para o computador.

A loja na saída do museu da Faber-Castell – acima, o Repaper, o tablet que dá a sensação de escrita no papel


Pergunta da Helena, 9 anos

9 – Como os lápis são produzidos? Como a madeira é transformada em lápis?

Bem, é um longo processo, quase 100% feito à mão. É importante ter certeza de que as minas não vão quebrar dentro do corpo do lápis em madeira, de que as cores estejam precisamente misturadas para manter um padrão, e tais coisas. Sabe as bolinhas antideslizantes no lápis Grip 2001 HB? Então, este é um dos muitos detalhes que devem ser cuidados durante a produção. Neste vídeo, o processo é muito bem ilustrado.

Question from Luisa, 6 

11 – Como são feitos os lápis coloridos?

Depende da mina. Seja a mina de grafite ou as minas coloridas, na fabricação das minas coloridas, os pigmentos de alta qualidade, a celulose derivativa (uma espécie de massa de papel de parede) e a caulinita (um argilo-mineral também usado na fabricação da porcelana) são misturados juntos.

As etapas de corte da madeira até se tornar o corpo do lápis. A visita guiada é excelente, muito bem explicativa e ilustrada.

A massa é colocada sob baixa pressão através de um bocal para formar as valetas para as minas. As minas coloridas não são queimadas, pois os pigmentos das cores seriam destruídos durante a queima, as minas coloridas são mais macias e mais sensíveis do que as minas de grafite. Para torná-las mais estáveis, o diâmetro da mina colorida é maior do que o da mina de grafite.

Até quem não sabe desenhar fica com vontade de ter uma caixa dessas. 🙂
Um deleite para quem gosta de canetas e ítens de papelaria.

P.S. Nossa visita foi realizada em julho de 2020. Gostaríamos de agradecer à equipe de marketing da Faber-Castell Alemanha pela gentil recepção e pelas visitas guiadas. As fotografias dos museus foram autorizadas e são de uso exclusivo para a nossa entrevista.

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